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Censo revela que 3 em cada 10 moradores da comunidade Andorinhas, no Guarituba, são haitianos

Publicado em 21/08/2026 por Rádio Aurora FM

Política

Levantamento realizado pela Prefeitura de Piraquara, UFPR e ACNUR identificou 2.557 moradores e aponta desafios de infraestrutura, trabalho e renda na comunidade.

Fonte:

Um levantamento realizado pela Prefeitura de Piraquara, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), revela o perfil da população da comunidade Andorinhas, no Guarituba. Segundo o censo, três em cada dez moradores identificados na localidade são haitianos.

A comunidade está entre as áreas que surgiram a partir de ocupações espontâneas de grandes terrenos nas regiões mais periféricas de Piraquara. O levantamento também mostra a chegada recente de moradores: parte significativa da população se instalou no local entre 2025 e 2026.

Atualmente, Andorinhas possui 1.002 domicílios. Deste total, 876 foram alcançados pelo censo, reunindo informações sobre 2.557 pessoas.

Embora a maioria dos moradores seja brasileira, a presença de migrantes e refugiados é expressiva. Foram identificadas 821 pessoas de outras nacionalidades, o equivalente a 32,1% da população registrada. Os haitianos formam o maior grupo, com 727 pessoas distribuídas em 270 domicílios.

O levantamento foi realizado entre abril e julho de 2026 e contou com a participação de 96 pessoas nas entrevistas, entre profissionais de diferentes secretarias municipais, estudantes e pesquisadores da UFPR, integrantes do ACNUR e moradores da própria comunidade.

O objetivo foi identificar o perfil da população, além das principais necessidades e prioridades da comunidade. Os dados devem servir de base para orientar políticas públicas e fortalecer ações locais.

Perfil dos moradores

A divisão entre homens e mulheres é praticamente equilibrada: 50,6% dos moradores são homens e 49,4%, mulheres.

A faixa etária predominante é de 30 a 59 anos, que representa 39,2% da população. Crianças e adolescentes de até 17 anos correspondem a 34,1%, enquanto pessoas com 60 anos ou mais representam 6,1%.

Em relação à escolaridade, 41,2% da população cursou o ensino fundamental e 38,2% chegaram ao ensino médio. Pessoas sem escolaridade e aquelas com ensino superior representam 4,1% cada.

 Infraestrutura é um dos principais desafios

O censo também aponta dificuldades relacionadas à infraestrutura básica. O acesso à água encanada, à coleta adequada de esgoto e à energia elétrica ainda é precário na comunidade, com grande parte dos domicílios dependendo de ligações informais ou comunitárias.

Apesar das dificuldades estruturais, o acesso aos serviços públicos de saúde e assistência social está presente para boa parte dos moradores.

Segundo o levantamento, 84,9% afirmaram utilizar as Unidades Básicas de Saúde. Além disso, 62,7% dos domicílios estão inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais.

Entre os brasileiros, 35,8% recebem o Bolsa Família. Entre os moradores não brasileiros, o percentual é de 23,5%.

 Mulheres enfrentam maiores dificuldades de acesso à renda

O levantamento também destaca desigualdades relacionadas ao trabalho e à renda, especialmente entre as mulheres.

Das 1.263 mulheres e meninas identificadas na comunidade, 348 são haitianas. O grupo representa 27,5% de todas as mulheres e meninas que vivem em Andorinhas.

O acesso ao trabalho e à renda aparece como um dos principais desafios para essa população.

A taxa de empregabilidade geral da comunidade é de 72,4%, mas há uma diferença significativa entre homens e mulheres. Enquanto 83,4% dos homens têm acesso ao mercado de trabalho, entre as mulheres o índice cai para 62%.

A diferença também aparece entre aqueles que não possuem nenhum rendimento. Entre as mulheres, 26,3% não têm renda, mais que o dobro do percentual registrado entre os homens, de 11,9%.

Os dados do censo devem ajudar o poder público e as instituições parceiras a compreender melhor a realidade de Andorinhas e definir ações voltadas às necessidades específicas da comunidade, especialmente nas áreas de infraestrutura, trabalho, renda, saúde e assistência social.